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Monday, October 6, 2014

A CASA DA FILIPA | a elegância da rebeldia.

No outro dia, em tom de apresentação, escrevia no facebook que a casa da Filipa é uma casa de poucas palavras (...) está lá tudo e longe de ser somente o essencial. Quando dizia TUDO não me referia somente àquilo que se vê - referia-me acima de tudo ao que se sente e percebe nas entrelinhas.

A casa da Filipa é o seu retrato: discretamente rebelde (que transmite serenidade), meiga (mas acutilante quando o momento assim o exige), uma eterna romântica (que adora filmes de terror), elegantemente calma (mas nos bastidores, desloca-se a uma velocidade vertiginosa) e {complexamente} simples - jamais simplista, seja na forma como pensa ou comunica.

A Filipa Penteado é formada em Design de Moda, mas decidiu revelar-se Produtora e Jornalista. Escreve para ela e para revistas que acreditam que um texto é uma Obra d'Arte (e sem espaço para argumentos em contrário). É a miúda que nos apresenta Megan Kathleen McIsacc ou fala de Diane Arbus como se de uma amiga se tratasse. Ama Tim Walker e as suas hipérboles visuais e anda sempre na boa companhia dos clássicos: Audrey Hepburn, Brigitte Bardot e Serge Gainsbourg fazem parte integral desse "grupinho". 

A sua casa respira luminosidade, não só aquela que entra janelas adentro e que se espreguiça nas paredes pintadas de branco imaculado, mas também aquela que irradia cada pormenor. Ilustrações na parede com fita-cola de papel japonês, almofadas que têm algo a dizer, jardins imaginários estampados em vinil, mantas confortantes como a amizade que nutre pelos seus e ainda o ronronar de Mr. Romero, o gato mais estiloso da Graça que só te dá confiança quando perceber que és dos bons.

É uma casa pequenina, como a sua habitante, mas tudo na vida tem uma grande vantagem - "obriga-me a editar o que tenho e a manter apenas o essencial". Eu diria que guarda o simply the best.

Curiosa com a escolha, perguntei-lhe porque  decidiu aqui morar: "eu já conhecia esta casa e outra no mesmo prédio (são ambas de amigas) e sempre adorei as casas, a vista e a zona. Na altura, escolhi a casa por motivos práticos e logísticos, mas tendo em conta esta minha história, acho que no fundo foi a casa que me escolheu a mim. Dei muitas voltas, mas foi aqui que vim parar e faz todo o sentido. Neste momento, não me imagino noutro sítio. É perfeita para mim."

É perfeita para ti e uma inspiração para quem lê este post. Obrigado por nos abrires as tuas portas.

Nunca disse mas desta vez não me vou conter: se esta ilustração de Wasted Rita alguma vez desaparecer da tua parede, fui eu e a minha colecção de Absolut que delicadamente a levou.
O sofá confortável, as mantas fofinhas e o sarcasmo elegante de Wasted Rita. Percebes agora quando digo que a casa da Filipa é o seu retrato? Que é rebelde, meiga, romântica e calma? 
Sempre que misturo padrões é da Filipa que me lembro…ela fá-lo sempre muito bem (em casa como na roupa).
Fight Club (que tem um espaço muito especial no ideal desta miúda com grandes referências cinematográficas) e o Mr Romero, que a enche de orgulho mesmo quando dorme em cima duma pilha de roupa que supostamente não deveria ser adulterada com pêlos ruivos - os gatos e os seus donos têm destes paradoxos, e eu sei do que falo. 
A porta que liga a sala ao quarto - se eu pudesse teria uma porta assim em casa.
Para a Filipa, o ideal seria ter mais um quarto para arrumar a tralha. "Não que seja muita (...) idealmente, só queria lá ter a cama e um candeeiro. Assim, tem que estar cheio". Eu percebo-te Filipa, mas tenho a dizer que adoro este canto e a ideia de ainda estar na cama a olhar para estes vestidos lindos e pensar o que é que vou vislumbrar por Lisboa.
É a pin-up que nos indica a casa de banho - palavras para quê?
Esta pequena janela dá para o quarto, que deve ser o quarto interior com mais luz que conheço até hoje (tem duas portas, uma das quais em vidro e esta janela).
A entrada para a cozinha, cuja vista deslumbra sobre um jardim gracioso, como se de uma casa de campo se tratasse. 
Pormenores que nos fazem e confortam. Há sempre um 5 o'clock tea time nesta casa, e com o melhor.

LISTA DE COMPRAS
Almofada e Poster Absolut de Wasted Rita
Poster Audrey Hepburn
Autocolante da Pin-Up
Vinil Birds Dream de Benedita Feijó 
Poster Fight Club
Manta mais escura é  um cachecol oversized de um open day da H&M que usa como manta
Manta mais clara IKEA
Caixas de chá herdadas da mãe (link não disponível)

Tuesday, July 8, 2014

A Casa da Inês | Um Galeria de Corpo e Alma.

Podia escrever uma dissertação sobre a Inês e a sua casa, mas infelizmente temos de ficar pelo resumo (alongado).

No momento que fotografava aquele apartamento na Graça de Lisboa encontrei o adjectivo perfeito: FOFINHA (a casa e a Inês). Se o espaço tivesse bochechas, seriam daquelas rosadinhas e rochunchudas que só apetece apertar, acreditem!

Mas uma casa fofinha é uma casa cheia de personalidade, e esta acreditem que tem muita. Peças de mobiliário dos grandes nomes do design, seja contemporâneo ou moderno. Peças essa que, passo a transcrever "só compro o que mexe comigo e o que tem realmente alma. Posso levar anos até encontrar o candeeiro para a minha casa, ou outros tantos para reunir o valor necessário, mas só isso me faz comprar objectos para a vida".

Quando se entra na casa da Inês, licenciada em Design Industrail pelo IADE, percebe-se no imediato que é uma miúda que já viajou muito e bebeu de todas as culturas por onde passou - muitas cidades na Europa, outras tantas na Ásia, norte de África, e claro, a inspiradora cidade de Nova Iorque. Ainda trabalhou dois anos em Munique, com os grandes mestres da ClassiCon em desenvolvimento de produto. Agora é uma Entrepreneur no mobiliário com o cunho português (em breve partilho sobre este projecto de muito orgulho). Tudo isto com 30 anos de idade!
Só uma aparte: ainda têm duvidas que Portugal está cheio de gente gira, inspiradora e inovadora? 

Não resisti em perguntar-lhe porque é que escolheu Lisboa para se estabelecer, depois de tantas experiências internacionais. A resposta fluiu e os olhos brilharam de convicção: "porque a minha estrelinha da sorte reuniu as variáveis todas para viver na cidade mais bonita onde já estive com a vantagem de ter a minha família e amigos todos reunidos. É a terra das minhas pessoas".

Com muito mais para contar, deixo alguns pormenores desta galeria "curada" por uma expert do design com muito corpo e alma. Bebam dela, inspirem-se na sua história e celebrem a força que existe em quem fica por cá a provar que afinal em Portugal há muita qualidade e sabedoria.

O chão da cozinha bem recuperado.
Sempre gostei das cozinhas com o traço original, neste caso não é só o chão mas a grande chaminé. 
A sala (e a Inês) com um print original de Milton Glaser com Bod Dylan e o candeeiro de tecto da Normann Copenhagen.
Mesa de Apoio de Eileen Gray.
Cabide Vitra de Charles Eames num hall azul claro, mas intenso como a energia que aqui se sente e se vive.
O pormenor que mais gosta no apartamento é o tecto cor-de-rosa do quarto.
A cor é a maior referência da Entrepreneur, que sem dúvida a escolhe com toda a mestria.
Pormenores trazidos da China.
Diz a Inês que o que falta nesta casa é só uma coisa: uma varanda maior.
Candeeiro Tube Light também de Eileen Gray da ClassiCon e mesa de apoio Diana C de Konstantine Grcic.

Porque esta casa tem pormenores lindos, irei postar durante a semana mais fotografias na página I Design Therefore I Am. Stay tuned!