Thursday, July 17, 2014

A Casa e a Comida | Home and Food.

As casas somos nós, de corpo e alma. A mobília é a nossa roupa e calçado. As louças e talheres são as malas e carteiras. E indo mais ao pormenor, as toalhas e guardanapos são as pulseiras e colares que escolhemos para dar mais energia. 
A comida que pomos na mesa são os abraços que damos a quem nos acompanha. A bebida que despejamos nos copos, são os beijinhos de alegria que damos a quem aparece. 

E ontem tive um dos jantares mais elegantes e calorosos na companhia da Joana, Ana Maria e Miguel - a querida e pequenina Mia recebeu-nos de sorriso contagiante e olhos brilhantes (de alegria e sono) mas pouco tempo depois foi nanar.

We are the houses, body and soul. The furniture is our clothing and footwear. Homewares are the bags and wallets. And going into more detail, towels and napkins are the bracelets and necklaces we chose to give more energy. 
The food we put on the table is the hugs we give to those who join us. The drink we pour on the glasses, are the kisses of joy we give to those who show up.

And yesterday I had one of the most elegant and warm gatherings with Joana, Ana Maria and Miguel - sweet little Mia received us with an infectious smile and bright eyes (with joy and sleepy) but shortly after went to dreamland.

Casa da Praia no Guincho da Mia, Ana Maria, Miguel.
Mia, Ana Maria and Miguel Beach House @Guincho.
Um dia destes partilho esta casa cheia de pormenores e sabedoria, mas hoje fica só mesmo este momento único antes de nos juntarmos todos à mesa repleta das delicias cozinhadas pela Ana Maria, inspiradas pelo seu favorito Ottolenghi.

Soon, I will share this house full of details and wisdom, but for today it is only this single moment before we all gather around the table to taste all of Ana Maria's delicacies, inspired by one of her favorites, Ottolenghi.

Wednesday, July 9, 2014

SEA CHAIR | Um Banco Vindo Do Mar.

Ontem andava à procura de videos para o meu blog Peixe É Fish quando encontrei Sea Chair de Studio Swine. Desde então tenho reflectido sobre o mesmo e não deixo de achar que este é um dos melhores exemplos que explica em pouco mais de 3 minutos a essência do (bom) design.

Design é a solução encontrada para um problema. Tão simples quanto isto. Há excedentes deste material provavelmente mais do que desejamos, mas se sozinhos não conseguimos resolver o problema, devemos portanto encontrar uma forma para o transformar em algo útil. Que melhor do que a "ciência" do design para chegar lá?

O video é sobre a recolha de plástico no Oceano Pacífico, transformá-lo em banco num barco de pesca. Também pode ser o alerta que apela à nossa consciência quando deitamos fora este tipo de material ou até o uso abusivo do mesmo.

Vejam o video: a narrativa que carrega é forte e a inspiração mais que muita.


Sea Chair from Studio Swine on Vimeo.
Short film about collecting plastic to make a chair on a fishing boat at sea.
www.studioswine.com
Since the discovery of the Pacific Garbage Patch in 1997, which is predicted to measure twice the size of Texas, five more have been found across the world’s oceans with the Atlantic gyre predicted to be even larger. This plastic takes thousands of years to degrade, remaining in the environment to be broken up into ever smaller fragments by ocean currents.
The gyre stretches from the coastlines of California to the shores of Japan. Recent studies have estimated 46,000 pieces of plastic per square kilometer of the world’s oceans. The number of plastic pieces in the Pacific Ocean has tripled in the last ten years and the size of the accumulation is set to double in the next ten.
Sea Chair is made entirely from plastic recovered from our oceans. Together with local fishermen, Studio Swine collects and processes the marine plastic into a stool at sea.

Credits
Concept & Design : Alexander Groves & Azusa Murakami
Film : Juriaan Booij
Music : Elisa Luu / 22 Marz
Links
juriaanbooij.com
studioswine.com

Tuesday, July 8, 2014

A Casa da Inês | Um Galeria de Corpo e Alma.

Podia escrever uma dissertação sobre a Inês e a sua casa, mas infelizmente temos de ficar pelo resumo (alongado).

No momento que fotografava aquele apartamento na Graça de Lisboa encontrei o adjectivo perfeito: FOFINHA (a casa e a Inês). Se o espaço tivesse bochechas, seriam daquelas rosadinhas e rochunchudas que só apetece apertar, acreditem!

Mas uma casa fofinha é uma casa cheia de personalidade, e esta acreditem que tem muita. Peças de mobiliário dos grandes nomes do design, seja contemporâneo ou moderno. Peças essa que, passo a transcrever "só compro o que mexe comigo e o que tem realmente alma. Posso levar anos até encontrar o candeeiro para a minha casa, ou outros tantos para reunir o valor necessário, mas só isso me faz comprar objectos para a vida".

Quando se entra na casa da Inês, licenciada em Design Industrail pelo IADE, percebe-se no imediato que é uma miúda que já viajou muito e bebeu de todas as culturas por onde passou - muitas cidades na Europa, outras tantas na Ásia, norte de África, e claro, a inspiradora cidade de Nova Iorque. Ainda trabalhou dois anos em Munique, com os grandes mestres da ClassiCon em desenvolvimento de produto. Agora é uma Entrepreneur no mobiliário com o cunho português (em breve partilho sobre este projecto de muito orgulho). Tudo isto com 30 anos de idade!
Só uma aparte: ainda têm duvidas que Portugal está cheio de gente gira, inspiradora e inovadora? 

Não resisti em perguntar-lhe porque é que escolheu Lisboa para se estabelecer, depois de tantas experiências internacionais. A resposta fluiu e os olhos brilharam de convicção: "porque a minha estrelinha da sorte reuniu as variáveis todas para viver na cidade mais bonita onde já estive com a vantagem de ter a minha família e amigos todos reunidos. É a terra das minhas pessoas".

Com muito mais para contar, deixo alguns pormenores desta galeria "curada" por uma expert do design com muito corpo e alma. Bebam dela, inspirem-se na sua história e celebrem a força que existe em quem fica por cá a provar que afinal em Portugal há muita qualidade e sabedoria.

O chão da cozinha bem recuperado.
Sempre gostei das cozinhas com o traço original, neste caso não é só o chão mas a grande chaminé. 
A sala (e a Inês) com um print original de Milton Glaser com Bod Dylan e o candeeiro de tecto da Normann Copenhagen.
Mesa de Apoio de Eileen Gray.
Cabide Vitra de Charles Eames num hall azul claro, mas intenso como a energia que aqui se sente e se vive.
O pormenor que mais gosta no apartamento é o tecto cor-de-rosa do quarto.
A cor é a maior referência da Entrepreneur, que sem dúvida a escolhe com toda a mestria.
Pormenores trazidos da China.
Diz a Inês que o que falta nesta casa é só uma coisa: uma varanda maior.
Candeeiro Tube Light também de Eileen Gray da ClassiCon e mesa de apoio Diana C de Konstantine Grcic.

Porque esta casa tem pormenores lindos, irei postar durante a semana mais fotografias na página I Design Therefore I Am. Stay tuned!

Tuesday, July 1, 2014

Flores | Notas de Inspiração.

A Primavera acabou, o Verão chegou mas estão ambos difíceis de vincar. Mas há uma forma (e formula) de conseguir trazer para dentro de casa o cheiro fresco que estas estações partilham connosco - flores. E para compor o ramalhete, haverá melhor do que convidar aqueles que nos fazem bem? Aqueles que partilham connosco? Aqueles que nos convidam também a partilhar?

Deixo aqui uma nota inspiradora para sair à rua, apanhar flores e troncos de árvores para decorar a mesa para o jantar deste fim de semana.

  Kinfolk Saturdays: Hosting a Flower Potluck from Kinfolk (kinfolk.com) on Vimeo.

Monday, June 30, 2014

Pormenores Cheios de Graça | WallStickers da Ferm Living.

As minhas referências no design vêm muito dos países nórdicos e do Japão. Gosto de espaços calmos, que me deixem respirar e pensar, onde os objectos que fazem parte de mim sejam bem recebidos e que me tragam referências da Natureza, mesmo que seja um mero banco de pinho natural de formas orgânicas que convide a sentar.
Se tiver de seleccionar uma palavra que defina estas duas referências diria que dos países nórdicos tiro a essência do pormenor, do Japão diria a essência do suficiente (AKA Less Is More).
Bebo destas fontes com muita frequência, e claro, hoje a passar os olhos pelo Pinterest vejo mais um daqueles produtos que dá vontade ter em casa ou mesmo aconselhar a quem precisa dar uns toques lá em casa sem grandes gastos, mas com muita graça.

Há uns anos usei exactamente esta técnica numa decoração de Natal. Foi sem duvida um dos projectos mais gratificantes na minha vida enquanto designer exactamente porque quando os clientes entraram em casa ficaram com um sorriso tão grande que pareciam duas crianças acabadinhas de entrar na DisneyWorld. Clica aqui para ver.


Para quem o papel de parede possa ser uma solução mais difícil de executar, há os wallstickers (autocolantes) para espalhar pela casa e quem melhor que a FERM LIVING para vos trazer estas preciosidades?


Tuesday, June 24, 2014

Harris Tweed - Hand Made In Britain.

O famoso Tweed está para um Britânico como a Calçada Portuguesa está para nós, ou talvez antes os tapetes de Arraiolos, ou mesmo as tolhas de Renda. Faz parte da cultura deles, é uma herança muito bem preservada, com raízes muito estáveis e definidas. Tweed é a Grã-Bretanha, e eu adoro ambos.

Este mês tive o privilégio de conhecer esta marca pessoalmente: Tetrad. Mas é a linha HARRIS TWEED que me deixou cheia de ideias e lembranças. Sofás de costas baixas, tecidos "que picam", formas ligeiras e arredondadas e os famosos botões meramente decorativos - um clássico que toda a casa britânica tem. 

E como um clássico fica sempre bem, mesmo no meio de peças vanguardista, deixo aqui os modelos que mais gosto, e que adoraria ter pelo menos um. 

Foto tirada na feira de Mid-Point, em Birmingham.
BOWMORE - Estilo Edwardian  de linhas curvas e simples.
BRAEMAR - O clássico dos clássicos.
CASTLEBAY - O inglês Chesterfield.
DUNMORE - O cadeirão de orelhas que fica bem ao lado de qualquer sofá da Tweed Harris.
MACKENZIE - Mais um cadeirão de orelhas, perfeito para o meu quarto.
As últimas 5 fotos são do website da Tetrad.

Sunday, June 22, 2014

Viver (Des)Organizada.

Por norma sou uma pessoa (altamente) organizada - tudo alinhado, por categoria - nome, cor ou assunto - e de preferência sem pó (sim, porque sem pêlos é pedir o impossível com dois gatos em constante mOVimEnTo cá em casa). 

O ser organizada não é nada mais nada menos que o resultado de não gostar de perder tempo à procura de algo que num momento exacto preciso. A organização é a maximização de tempo, que para mim nunca é suficiente. Quem me dera ter 24 horas por dia mais a noite. Era bom, não era?

Claro, também tenho os meus momentos - pilhas de revistas e livros (às vezes até no chão); cadernos e canetas espalhadas p'la casa; telefone escondido algures que só é encontrado quando alguém me telefona ou eu própria. Compras para arrumar, roupa para engavetar e loiça para lavar- verdade!

Mas a casa é isto mesmo: vivê-la sem austeridade nem intolerância. É fazer o que nos apetece, mais tarde logo se organiza e limpa. Não devemos entrar no desleixe, mas temos de nos permitir viver a casa, viver a companhia, viver aquilo que duma forma ou de outra fomos adquirindo ao longo dos tempos. Aproveitar, usufruir, usar. Caso contrário os objectos e o espaço não passam disso mesmo: objectos e espaço. 

#BomDomingo 

Mais logo arrumo, talvez amanhã. Mas arrumo. 

Saturday, June 21, 2014

Diz-me Como Decoras, Dir-te-ei Quem És.

Já disse várias vezes por aqui que a casa é o nosso reflexo, assim como os jeans que só usamos ao fim de semana ou a clutch que escolhemos meticulosamente para sair sexta-feira à noite para dar um pézinho de dança.

São os pormenores que constroem a nossa imagem e é isso que ando à procura - pomenores da tua casa, pormenores que compõem a tua energia e a tua imagem, a tua identidade.

Procuro casas cheias de vida para fotografar e publicar neste blog. Se vives em Lisboa ou arredores, e queres partilha-la aqui, manda uma foto e morada. Prometo que serão umas boas horas passadas.

#BomFimDeSemana

Pormenor do hall da minha casa - Estante POMBAL da TemaHome

Wednesday, June 4, 2014

Origin Is The New Black.

Durante décadas vivemos na ostentação desmedida. Tudo se comprou, mas pouco se intensificou. Tudo era passageiro, nada para sempre. Usamos e abusamos dos recursos e quando assim é nada (ou pouco) vira timeless.

Creio que esta vaga atingiu todos nós e em muitas áreas das nossas vidas. A parte boa deste "movimento" é que acabou. Somos mais exigentes com o que adquirimos, somos melhores compradores e indirectamente influenciámos o inicio dum novo movimento: voltar às origens. Precisamos de referências que foram perdidas nestas ultimas décadas.

E como uma boa marca é aquela que entende os seus clientes e as novas tendências, deixo aqui um dos vídeos mais bonitos sobre o come back da Heals, uma loja no centro de Londres com mais de 200 anos e provavelmente a melhor do mundo.



Heal's prides itself on its history of discovering and nurturing creative talent. Back in the 1950s, the company was responsible for championing fabric designs by emerging designers of the time including Lucienne Day, Zandra Rhodes and Barbara Brown. Now for the first time since the 1970s, Heal's has produced an exclusive own-brand fabric collection. Working with both established and up-and-coming designers - each of whom has created an exclusive pattern for Heal's -- the collection celebrates both colour and individuality, drawing inspiration from fabric archives, decorative arts, nature and even jewellery.

Saturday, May 31, 2014

Colagens | Forma de Expressão.

Há formas de expressão que se definem em miúdos e que acabam por nos acompanhar ao longo da vida. Uma das minhas formas de expressão em miúda era colar postais ou recortes de revistas nas paredes do meu quarto (mas nunca posters dos Wham, Billy Idol ou mesmo Transvision Vamp que eu adorava).

Lembro-me de voltar duma visita de estudo ao Mosteiro dos Jerónimos e Museu dos Coches carregada de postais. A primeira coisa que fiz quando cheguei a casa foi colá-los na parede do meu quarto com cola Pica-Pau (lembras-te?). Imagine-se o raspanete que levei da minha mãe (e o estuque que veio atrás quando os tive de os arrancar).

Ainda hoje expresso-me desta forma - adoro colar postais, cortes de revistas e post-its com frases soltas nas paredes de casa. São histórias em imagens mas sem legendas com espaço para a imaginação de quem as lê. 

A maior colagem que fiz, vivia eu em Notting Hill, Londres - My Favorite Wall
Uma colagem especifica em bailarinas - Ballet

A minha secretária, Oslo by TemaHome
Esta colagem começou com o menu do BISHOPSGATE KITCHEN. Ainda pensei emoldurá-lo mas depois percebi que era altura de começar uma nova colagem. A última entrada foi a carta do 8 de Ouros que encontrei na rua. 
#BomFimDeSemana